Banca de DEFESA: SAMIELE CAMARGO DE OLIVEIRA DOMINGUES

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : SAMIELE CAMARGO DE OLIVEIRA DOMINGUES
DATA : 30/06/2026
HORA: 15:00
LOCAL: Sala de defesas do PPGEC - Nova Xavantina
TÍTULO:

CONSEQUÊNCIAS BIOGEOQUÍMICAS E FLORÍSTICA DA CONVERSÃO DE FLORESTAS EM PASTAGENS DA AMAZÔNIA MERIDIONAL


PALAVRAS-CHAVES:

Mudanças climáticas, Balanço de carbono; Eventos climáticos extremos; Funcionamento de ecossistemas; Gases de efeito estufa; Mudanças climáticas; Uso da terra.


PÁGINAS: 340
RESUMO:

A conversão de florestas para outros usos da terra representa um dos principais fatores de desequilíbrio biogeoquímico na Amazônia, contribuindo para o aquecimento global e para a intensificação de eventos climáticos extremos. No Brasil, as mudanças no uso e cobertura da terra constituem importante fonte de emissões de gases de efeito estufa. Entre 1750 e 2019, as atividades humanas liberaram aproximadamente 685 Pg C (pentagramas de carbono) para a atmosfera, dos quais cerca de 240 Pg C estiveram associados às mudanças no uso da terra, enquanto 445 Pg C resultaram da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento. Nesse mesmo período, os ecossistemas terrestres removeram entre 230 e 400 Pg C, enquanto os oceanos absorveram aproximadamente 170 Pg C. Ainda assim, ocorreu um acúmulo líquido de aproximadamente 285 Pg C na atmosfera, evidenciando a incapacidade dos sumidouros naturais em neutralizar integralmente as pressões antrópicas. Nesse contexto, compreender as diferenças ecológicas entre distintos usos da terra torna-se fundamental para avaliar possíveis alterações no funcionamento dos ecossistemas amazônicos, especialmente em atributos relacionados à vegetação, ao solo, à ciclagem de nutrientes e à microbiota associada. Para a realização dos procedimentos experimentais, foram avaliados dois ambientes (floresta nativa e pastagem) delimitando-se uma área de 1 hectare em cada sistema, assegurando a padronização das amostragens. Na floresta, a área foi subdividida em 25 subparcelas de 20 × 20 m para avaliação da composição florística de árvores e palmeiras (DAP ≥ 10 cm), bem como do aporte, decomposição e teor de nutrientes da serapilheira, monitorados mensalmente ao longo de um ano. Na pastagem, as avaliações foram conduzidas na mesma extensão amostral, permitindo a caracterização comparativa dos ecossistemas (Capítulo 1). No Capítulo 2, foram realizadas análises físicas e químicas do solo ao longo do perfil, incluindo caracterização morfológica, quantificação dos estoques de carbono e nitrogênio orgânico total, além da distribuição de nutrientes em profundidade. No Capítulo 3, avaliou-se a comunidade de fungos micorrízicos arbusculares (FMAs), incluindo densidade de esporos, potencial micorrízico e experimentos de inoculação em viveiro utilizando as espécies arbóreas nativas Apeiba tibourbou Aubl., Bixa arborea Huber, Bauhinia variegata L., Ceiba pentandra (L.) Gaertn. e Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose. A floresta, classificada como Floresta Ombrófila Aberta, apresentou características compatíveis com ambientes conservados, registrando 689 indivíduos ha⁻¹ distribuídos em 92 espécies, 69 gêneros e 36 famílias botânicas, com índice de diversidade de Shannon (H’) de 3,79 e equabilidade de Pielou (J’) de 0,91. Observou-se concentração de abundância e valor de importância em poucas espécies dominantes, com aproximadamente 31,83% dos indivíduos concentrados em seis espécies, além de 17 gêneros representados por apenas um indivíduo cada, caracterizando espécies localmente raras e um padrão compatível com florestas maduras em estágio sucessional tardio. Destacaram-se Fabaceae como a família de maior representatividade e Ochthocosmus barrae (Ixonanthaceae) como espécie dominante no ambiente florestal. A produção anual de serapilheira foi de aproximadamente 9,8 t ha⁻¹, apresentando forte sazonalidade, com maior aporte durante a estação seca (60,01%) em comparação à estação chuvosa (39,99%), além de predominância da fração foliar (50,31%). A decomposição da serapilheira apresentou maior perda de massa nos estágios iniciais, especialmente para a fração foliar, que apresentou constante de decomposição (k) de 0,0047 g g⁻¹ dia⁻¹, atingindo aproximadamente 97% de decomposição ao final de 360 dias. Já a fração de galhos apresentou menor velocidade de decomposição, com k=0,0023g g⁻¹ dia⁻¹, indicando maior persistência do material lenhoso no ambiente. O processo de decomposição esteve associado à sazonalidade hídrica, com a precipitação atuando como principal variável explicativa da variação temporal da decomposição, indicando elevada sensibilidade da ciclagem da matéria orgânica às secas sazonais e à variabilidade climática. A presença de 148 indivíduos mortos, tratados como necromassa, pode estar associada à dinâmica natural de clareiras em florestas de terra firme. Contudo, sua magnitude, correspondente a 21,5% do total amostrado, sugere cautela na interpretação, especialmente diante da intensificação recente de eventos climáticos extremos. A área de pastagem apresentou 42 espécies distribuídas em 17 famílias, com predominância de Malvaceae (21,43%) e Fabaceae (16,67%), além de elevada proporção de espécies herbáceas (40,48%) e subarbustivas (28,57%). Esse padrão florístico sugere menor complexidade estrutural e limitação do avanço sucessional quando comparado ao ambiente florestal, sendo compatível com sistemas submetidos a distúrbios recorrentes. As análises do solo demonstraram que ambos os ambientes foram classificados como Latossolo Amarelo Distrófico, caracterizados por elevada acidez, baixa saturação por bases e forte intemperismo. Os valores de pH em CaCl₂ variaram entre 3,8 e 4,3, enquanto a elevada saturação por alumínio indicou ambientes quimicamente restritivos. A floresta apresentou maiores teores de matéria orgânica, maior capacidade de troca catiônica e maiores estoques de potássio e magnésio, associados ao aporte contínuo de serapilheira e à ciclagem biológica de nutrientes. Em contrapartida, a pastagem apresentou maiores estoques de carbono orgânico do solo nas camadas superficiais e intermediárias, além de maiores teores de fósforo e cálcio, possivelmente relacionados ao manejo e à dinâmica radicular das gramíneas. As alterações físicas do solo ocorreram principalmente nas camadas superficiais, especialmente relacionadas à distribuição da fração silte, sem evidências de degradação física severa do perfil. No componente microbiológico, observaram-se diferenças na dinâmica dos fungos micorrízicos arbusculares entre os usos da terra. A pastagem apresentou maior densidade de esporos de FMAs, padrão frequentemente associado a ambientes sob maior nível de perturbação. Em condições de viveiro, a inoculação com FMAs promoveu incrementos significativos na colonização radicular, biomassa e crescimento inicial das espécies arbóreas avaliadas, enquanto os tratamentos sem inoculação apresentaram os menores valores para as variáveis analisadas. Esses resultados evidenciam o potencial dos FMAs na aquisição de nutrientes, especialmente fósforo, e no estabelecimento inicial de mudas em programas de restauração ecológica. De forma integrada, os resultados evidenciam diferenças florísticas, estruturais, biogeoquímicas e microbiológicas entre floresta nativa e pastagem na Amazônia Meridional. Com base em indicadores ecológicos relacionados à vegetação, dinâmica da serapilheira, atributos do solo e microbiota edáfica, infere-se que os diferentes usos da terra podem estar associados a alterações no funcionamento ecossistêmico, incluindo processos relacionados à ciclagem de nutrientes, armazenamento de carbono e estabilidade ambiental. Os resultados também reforçam a importância da conservação de florestas nativas e da adoção de práticas sustentáveis de manejo e restauração ecológica, especialmente em áreas submetidas à intensificação do uso da terra e à crescente variabilidade climática.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 82329001 - BEN HUR MARIMON JUNIOR
Externa ao Programa - 270628001 - MURIEL DA SILVA FOLLI PEREIRA
Externa à Instituição - BÁRBARA DE OLIVEIRA BOMFIM - UC
Externo à Instituição - FABIANO ANDRÉ PETTER - UFMT
Externo à Instituição - 039.683.111-75 - FERNANDO ELIAS DA SILVA - EMBRAPA
Notícia cadastrada em: 23/06/2026 06:35
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