MUDANÇAS TEMPORAIS E ESPACIAIS NA DIVERSIDADE E BIOMASSA DE PLANTAS LENHOSAS EM SAVANAS ROCHOSAS BRASILEIRAS
Diversidade Beta-Temporal, Savanna Neotropical, Substituição de Espécies, Substratos Rochosos
Em tempos de mudanças climáticas, ainda sabemos pouco sobre a dinâmica da vegetação e da flora de savanas brasileiras, principalmente se considerarmos que elas possuem distribuição ampla, mas descontínua no território nacional e estão sob diferentes tipos de substratos e regimes climáticos. Avaliamos a dinâmica da vegetação lenhosa de quatro comunidades de savanas lenhosas, uma na região central do Cerrado, duas na Transição entre o Cerrado e a Amazônia e uma na região da Amazônia brasileira. Nosso objetivo foi comparar as mudanças temporais, ao longo de uma década, na composição, na diversidade de espécies e na estrutura da vegetação dessas quatro comunidades distribuídas em três regiões. A composição das savanas rochosas variou entre as quatro comunidades nas três regiões, mas as mudanças ao longo de 10 anos foram pequenas. A riqueza de espécies aumentou 6% no sítio do centro do Cerrado, 4% e 9% nos dois sítios da Transição e não mudou no sítio amazônico. No sítio do Cerrado houve redução de 10,4% na densidade de indivíduos e de 2,7% na biomassa, enquanto nos sítios da Transição e da Amazônia esses parâmetros estruturais aumentaram, principalmente as densidades de indivíduos dos sítios da Transição (18% e 13,3%) e a biomassa do sítio da Amazônia (38,8%). A diversidade de espécies foi maior nos dois sítios da transição e menor no sítio da Amazônia. O isolamento do sítio amazônico o beneficia com uma região mais chuvosa, menor invasão por espécies de fitofisionomias florestais – ainda que elas sejam circunvizinhas como as Florestas Ombrófilas e Estacionais. As pequenas mudanças na diversidade, na composição de espécies e na estrutura da vegetação sugerem estabilidade temporal das savanas estudadas, mas há evidentes diferenças regionais entre elas. No entanto, os maiores ganhos e os maiores aumentos de densidades na Transição e de biomassa na Amazônia sugerem que o adensamento desses sítios é mais pronunciado.