IMPACTOS DO FOGO NA VEGETAÇÃO E NO SOLO EM FLORESTAS ESTACIONAL DO SUL DA AMAZÔNIA
Homogeneização biótica. Diversidade. Reservas de carbono. Degradação. Ponto de inflexão. Incêndios florestais
As florestas tropicais exercem papel fundamental nos ciclos biogeoquímicos globais, atuando como importantes sumidouros de carbono e reguladoras do clima. Entretanto, na Amazônia, a intensificação de atividades antrópicas, como desmatamento, corte seletivo e queimadas, tem comprometido suas funções ecológicas, especialmente na Zona de Tensão Ecológica (ZOT) Amazônia-Cerrado, região marcada por elevada vulnerabilidade ambiental, fragmentação florestal e recorrência de incêndios agravados por eventos de seca associados às mudanças climáticas. Esta tese tem como objetivo investigar os impactos do fogo sobre a estrutura, o funcionamento da vegetação e a dinâmica do carbono em florestas estacionais na porção sul da Amazônia, com ênfase na ZOT. O estudo foi estruturado em dois capítulos complementares. O primeiro analisou as alterações estruturais e funcionais da vegetação em áreas pós-fogo, avaliando parâmetros como mortalidade arbórea, mudanças na composição florística e redução da biomassa. O segundo capítulo avaliou o efluxo de C-CO₂ do solo em diferentes períodos pós-incêndio, considerando sua variação temporal e sazonal, bem como sua relação com variáveis ambientais, especialmente temperatura e umidade do solo. Os resultados evidenciam que os incêndios promovem elevada mortalidade de árvores, redução significativa do estoque de carbono e alterações na estrutura florestal, comprometendo a capacidade de regeneração e a resiliência dos ecossistemas. No solo, observou-se variação significativa no efluxo de C-CO₂ nos períodos pós-fogo, com influência direta das condições microclimáticas, indicando mudanças na dinâmica do carbono e potencial intensificação das emissões para a atmosfera. Conclui-se que o fogo atua como agente estruturador da degradação na ZOT, reduzindo a capacidade das florestas de manter seus estoques de carbono e ampliando sua vulnerabilidade frente às mudanças climáticas. Os achados contribuem para a compreensão dos efeitos do fogo na transição Amazônia-Cerrado e fornecem subsídios para estratégias de manejo e conservação em regiões sob crescente pressão antrópica.