DETERMINANTES DA DINÂMICA DE REBROTAS PÓS-FOGO DE ESPÉCIES SAVÂNICAS DE CERRADO
savanas tropicais; rebrota pós-fogo; espécies lenhosas; frequência de fogo; recuperação da vegetação
O aumento da frequência de incêndios nas savanas da América do Sul tem sido amplamente associado à intensificação das atividades humanas. Embora o Cerrado brasileiro seja um ecossistema savânico que evoluiu sob a influência do fogo, o bioma vem sendo impactado pelo encurtamento dos intervalos entre eventos de queima. Nesse contexto, compreender os mecanismos de recuperação da vegetação frente a regimes de fogo recorrentes, como a capacidade de rebrota e a dinâmica das rebrotas basais de espécies lenhosas no pós-fogo, torna-se essencial. Este estudo avaliou a dinâmica de longo prazo (2008–2024) das rebrotas basais no Parque Municipal do Bacaba, em Nova Xavantina, Mato Grosso, ao longo de diferentes históricos de fogo. As análises foram conduzidas em três fitofisionomias: Cerrado Típico queimado (CTQ), Cerrado Típico não queimado (CTN) e Cerrado Rupestre queimado (CRQ), considerando 24 espécies lenhosas. Foram amostrados o número, a altura e o diâmetro das rebrotas basais em áreas queimadas e não queimadas, a partir dos quais foram estimadas a biomassa e a mortalidade ao longo do tempo. A dinâmica das rebrotas variou entre espécies, fitofisionomias e a frequência de fogo, com menor acúmulo de biomassa e recuperação incompleta do caule principal em áreas sujeitas a queimadas recorrentes. As rebrotas basais não atingiram biomassa equivalente à do caule pré-fogo nos quatro primeiros anos de monitoramento. Esses resultados evidenciam que, apesar da alta capacidade de rebrota, a recorrência do fogo pode limitar a recuperação estrutural de espécies lenhosas do Cerrado, reforçando a importância de incorporar a variabilidade interespecífica e o histórico de fogo em estratégias de manejo, conservação e restauração.