ESTEROIDES PLASMÁTICOS COMO MARCADORES NÃO LETAIS DO SEXO E DA CONDIÇÃO REPRODUTIVA DE Piaractus mesopotamicus (HOLMBERG, 1887)
Estradiol; testosterona; 11-cetotestosterona; estadiamento; Pacu; Pantanal.
O pacu, Piaractus mesopotamicus, espécie de importância comercial para pesca e piscicultura, não apresenta dimorfismo sexual externo evidente, e a identificação do sexo e do estádio reprodutivo depende, em geral, de métodos letais. Este estudo avaliou se as concentrações plasmáticas de 17β-estradiol (E2), testosterona (T) e 11-cetotestosterona (11KT), e as razões entre elas, distinguem o sexo e a condição reprodutiva da espécie em ambiente natural, comparando seu desempenho ao de índices letais. Foram amostrados 61 exemplares (31 fêmeas e 30 machos) na Estação Ecológica de Taiamã, Pantanal de Mato Grosso. O sexo e o estádio gonadal (repouso, em maturação e esvaziado) foram determinados por inspeção macroscópica, uma subamostra das gônadas foi caracterizada por histologia e os hormônios foram quantificados por ELISA. Animais em maturação e esvaziados foram agrupados a posteriori como ativos e comparados aos inativos (repouso). A 11KT foi o melhor marcador para distinguir os sexos, com mediana cerca de 5 vezes maior nos machos (p < 0,001) e separação quase completa. Nas 19 fêmeas com dosagem válida, o E2 separou completamente as ativas das inativas (p < 0,001), enquanto o índice gonadossomático apresentou sobreposição entre os grupos. Nos machos, a T e a 11KT foram cerca de 3,5 e 22 vezes maiores nos animais ativos (p < 0,001), e a razão 11KT/T separou os grupos quase completamente, embora os ativos fossem quase todos esvaziados. Os esteroides plasmáticos são candidatos promissores a marcadores não letais do sexo e da condição reprodutiva do pacu, mas os pontos de corte observados devem ser validados em amostras independentes.