Banca de QUALIFICAÇÃO: Thaysa Costa Hurtado

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : Thaysa Costa Hurtado
DATA : 08/04/2026
HORA: 12:00
LOCAL: CELBE no formato virtual
TÍTULO:

Mercúrio na Amazônia: Evidências de Bioacumulação em Mamíferos Aquáticos


PALAVRAS-CHAVES:

Amazônia, Água doce, Bioacumulação, Contaminação, Ecotoxicologia, Metais tóxicos


PÁGINAS: 96
RESUMO:

A contaminação por mercúrio (Hg) em mamíferos aquáticos amazônicos constitui um tema de elevada relevância, ao envolver efeitos ecológicos e fisiológicos, bem como importantes implicações para a conservação. Esta tese está estruturada em três artigos científicos, que combinam uma abordagem de estudos direcionados a espécies-chaves da fauna amazônica, fornecendo uma base científica para o monitoramento ambiental e a formulação de estratégias de conservação. O primeiro artigo apresenta uma revisão sistemática e meta-análise sobre a bioacumulação e os efeitos do Hg em mamíferos aquáticos e semiaquáticos de água doce das ordens Carnivora, Rodentia e Cetacea. A síntese de 19 estudos revelou diferenças significativas nas concentrações de mercúrio total (THg) entre tecidos biológicos, com o fígado apresentando as maiores médias (1,88 ± 1,26 µg/g) e o músculo as menores (0,22 ± 0,19 µg/g). Além disso, foram identificados efeitos neurotóxicos relevantes em espécies como Lontra canadensis. A elevada heterogeneidade entre os estudos (I² = 100%) reflete variações metodológicas e ecológicas, além de evidenciar lacunas críticas de conhecimento na América do Sul, onde apenas dois estudos incluíram espécies amazônicas (Inia spp. e Pteronura brasiliensis). Essa abordagem quantitativa reforça o papel da meta-análise como ferramenta essencial para a integração de dados dispersos e para a compreensão de padrões de bioacumulação em escala continental. O segundo artigo concentra-se no peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis), único sirênio exclusivamente dulcícola e herbívoro da Amazônia. A análise de amostras de sangue e pele de indivíduos mantidos no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) revelou concentrações mais elevadas de THg em filhotes (4,14 ± 0,94 µg/L no sangue) e maior acúmulo cutâneo em adultos (1,43 ± 0,37 µg/kg), sugerindo processos de redistribuição tecidual ao longo do tempo. O metilmercúrio (MeHg), fração mais tóxica e biodisponível do Hg, representou mais de 89% do conteúdo total em ambas as matrizes, indicando exposição crônica. Embora as concentrações observadas estejam abaixo dos limites de toxicidade estabelecidos por agências internacionais, os resultados alertam para os potenciais riscos associados à contaminação crônica em uma espécie vulnerável, reforçando seu papel como espécie sentinela para o monitoramento ambiental na Amazônia. O terceiro artigo aborda a concentração de THg na ariranha (Pteronura brasiliensis), predador de topo e importante regulador trófico, cuja posição elevada na cadeia alimentar a torna particularmente suscetível à biomagnificação do Hg. Sua ampla distribuição na Amazônia, aliada à elevada sensibilidade a perturbações ambientais, caracteriza a espécie como um modelo ecológico adequado para investigar os efeitos ecotoxicológicos do Hg em ecossistemas aquáticos. De forma integrada, os três artigos demonstram que a bioacumulação de Hg em peixes-bois e ariranhas reflete tanto a complexidade das redes tróficas amazônicas, quanto os impactos de pressões antrópicas, como mineração, desmatamento e alterações nos regimes hidrológicos Este estudo contribui para o avanço do conhecimento sobre a ecotoxicologia de mamíferos aquáticos na Amazônia, com ênfase no Hg como metal tóxico, e destaca a necessidade de programas de monitoramento, capazes de integrar ciência, conservação e políticas públicas, por meio do uso de espécies sentinelas, da integração entre dados biológicos e ambientais e do fortalecimento do controle de fontes antrópicas de Hg. Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 3 e ODS 14), esta tese fornece subsídios relevantes voltadas à promoção da saúde única dos ecossistemas amazônicos e da biodiversidade associada.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 83200001 - AUREA REGINA ALVES IGNACIO
Interna - 110049004 - MARIA APARECIDA PEREIRA PIERANGELI
Interno - 118181001 - WILKINSON LOPES LAZARO
Externa à Instituição - 056.582.857-63 - DANIELE KASPER - UFMG
Externo à Instituição - JOAO HENRUQUE FERNANDES AMARAL - UR
Notícia cadastrada em: 12/03/2026 14:11
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