Banca de DEFESA: DAIANA FERREIRA DIAS

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : DAIANA FERREIRA DIAS
DATA : 13/03/2026
HORA: 08:00
LOCAL: CELBE/HÍBRIDO
TÍTULO:

REGIME DO FOGO SOB A CONDIÇÃO DA ESTRUTURA FUNDIÁRIA E ECOLÓGICA NA SUB-REGIÃO DO PANTANAL DE CÁCERES-MT


PALAVRAS-CHAVES:

Modificação da paisagem; incêndios florestais; mudanças climáticas; carbono orgânico  


PÁGINAS: 64
RESUMO:

O fogo tem se consolidado como um dos principais distúrbios socioecológicos no Pantanal, especialmente nas últimas décadas, quando eventos extremos passaram a coexistir com transformações profundas na organização territorial. Na sub-região do Pantanal de Cáceres, incêndios de grande magnitude registrados entre 1985 e 2023 mostraram que o regime do fogo não pode ser explicado apenas por variáveis climáticas, sendo fortemente condicionado pela estrutura fundiária e pela configuração da paisagem. Esta dissertação analisa como a interação entre estrutura fundiária, paisagem e clima moldou o regime do fogo no Pantanal de Cáceres entre 1985 a 2023, integrando dados do MapBiomas Fogo, do Cadastro Ambiental Rural (CAR), variáveis climáticas do ERA5-Land e Fenômenos climáticos como El Niño-Oscilação do Sul (ENSO). O estudo está organizado em dois capítulos e estruturado como artigos. O primeiro artigo “Fogo e fronteiras: uma inversão das chamas na sub-região do Pantanal de Cáceres”, demonstra que a estrutura fundiária modulou a trajetória espacial e a recorrência do fogo no território. A área queimada anual apresentou média de 60.457,50 ± 65.734,02 ha, com elevada variabilidade interanual e concentração de 29,8% de toda a área queimada apenas nos anos de 2020 e 2021. A partir do início dos anos 2000, observou-se uma inflexão no padrão espacial das queimadas, definida como “inversão das chamas”, caracterizada pelo deslocamento progressivo do núcleo do fogo da porção norte para o centro-sul da sub-região, acompanhando a concentração de grandes propriedades rurais. A análise de recorrência revelou regimes contrastantes de 83% das pequenas propriedades (<4 módulos fiscais) queimaram até dez vezes ao longo da série, enquanto 91% das grandes propriedades (>15 módulos fiscais) queimaram 11 ou mais vezes, sendo 59% enquadradas na classe de alta recorrência (21–38 eventos), configurando áreas cronicamente expostas ao fogo. O segundo artigo “Paisagens inflamáveis: transições ecológicas e vulnerabilidade climática do Pantanal de Cáceres”, destaca que a paisagem exerce controle estrutural primário sobre a suscetibilidade ao fogo, enquanto o clima atua como modulador condicionante. As formações campestres concentraram a maior parte da área queimada, com média anual de 3.580,57 ± 5.813,99 ha, valor 1,72 vezes superior ao observado em campos alagáveis. Modelos exclusivamente climáticos apresentaram baixo poder explicativo (R² = 0,28), ao passo que o modelo integrando paisagem e temperatura máxima foi o mais parcimonioso (ΔAICc = 0,00; peso AICc = 0,746). A temperatura máxima apresentou efeito positivo significativo sobre a área queimada (β = 0,289 ± 0,031), com respostas diferenciadas entre classes de paisagem. Valores críticos de precipitação, umidade do solo e temperatura indicaram aumentos expressivos da área queimada quando combinados, especialmente em formações campestres. Os resultados dos dois artigos demonstram que o regime do fogo no Pantanal de Cáceres emerge da sobreposição entre decisões territoriais, recorrência do uso do fogo em grandes propriedades e configuração da paisagem, sob condições climáticas que atuam como gatilho, mas não como determinantes únicos. De todo modo, essa dissertação contribui para uma compreensão sobre o fogo em áreas úmidas tropicais e oferece base técnica para o manejo adaptativo e preventivo do fogo e para possíveis políticas públicas sensíveis às especificidades socioecológicas do Pantanal Ao combinar análises temporais, espaciais, o trabalho contribui para compreender a resiliência ecológica dos sistemas úmidos frente às mudanças climáticas principalmente considerando os ODS 13 suas metas 13.2 e ODS 15 e sua meta 15.3.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 118188003 - ERNANDES SOBREIRA OLIVEIRA JUNIOR
Interna - 48690002 - SOLANGE KIMIE IKEDA CASTRILLON
Interno - 118181001 - WILKINSON LOPES LAZARO
Externo à Instituição - 027.559.449-19 - DANIEL LUIZ ZANELLA KANTEK - ICMBio
Notícia cadastrada em: 24/02/2026 16:25
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