POLÍTICAS LINGUÍSTICAS PARA A FORMAÇÃO DOCENTE EM PEDAGOGIA: EDUCAÇÃO LINGUÍSTICA - O DEBATE NECESSÁRIO
Política Linguística; Filologia Política; Ensino de língua/ensino de língua materna; Formação docente; Educação linguística em Pedagogia.
Esta tese se inscreve na área de concentração Estudo de Processos Linguísticos, linha de pesquisa Estudo de Processos de Práticas Sociais da Linguagem, do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Linguística, da Universidade do Estado de Mato Grosso – PPGL/UNEMAT. É uma pesquisa bibliográfica e documental, interpretativa, qualitativa, que compreende a língua como multissistêmica e articulada por meio de um dispositivo sócio-cognitivo (Castilho, 2010, 2021) e que discute a política linguística educacional na formação de professores na área de Pedagogia. Visamos intensificar o debate sobre a necessidade de se aprofundar a educação linguística nessa formação a partir de uma base linguística (Cagliari, 1999, 2002, 2006b, 2019), que tem na docência sua atuação principal: forma professores que introduzem as crianças aos primeiros contatos regulares e sistemáticos com a língua escrita nas etapas da Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental I. O objetivo desta pesquisa foi explorar a política linguística na formação docente na Licenciatura em Pedagogia. Analisamos qual a dimensão da língua no projeto pedagógico e matriz curricular para compreender qual o papel dessa (que deveria ser uma) base na formação linguística dos docentes em formação na Licenciatura em Pedagogia. Discutimos a legislação educacional constante na Constituição Federal, Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9394/1996), Diretrizes curriculares para cursos de Pedagogia (Resolução CNP/CP nº 1/2006), Diretrizes curriculares para formação inicial e continuada em nível superior (Resolução CNE/CP Nº 2, de 1º de julho de 2015), e Base Nacional Comum Curricular (Resolução CNE/CP Nº 2, de 22 de dezembro de 2017). Analisamos o projeto pedagógico do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Rondônia, campus Porto Velho, a matriz curricular e o ementário desse curso como um exemplo do que tratamos. Os objetivos específicos foram: 1) explicitar as políticas linguísticas educacionais criadas pela legislação e diretrizes curriculares, de modo a ressaltar as políticas linguísticas educacionais que essa legislação/diretrizes pressupõem e a transversalidade da língua ao longo da formação do pedagogo; 2) compreender a dimensão dos estudos linguísticos no projeto político pedagógico, na matriz curricular, e nas ementas de disciplinas voltadas ao ensino de língua e estágio com interseção com estudos linguísticos e 3) demonstrar a necessidade de aprofundamento em estudos linguísticos para o desempenho da atribuição central desses profissionais, a docência, que se dá na Educação Básica, em que ministram ensino de língua, transversal aos demais conteúdos. A hipótese da pesquisa foi que a insuficiência de estudos linguísticos na formação dos professores da educação infantil e anos iniciais é uma política linguística educacional, negativa, mas uma política linguística. Situamos a discussão sobre política linguística em Filologia Política (Rocha, 2013), em interseção com o campo de ensino de línguas/Linguística Aplicada (Almeida Filho, [1993] 2015, 2014, [2011] 2018, 2022). Concluímos que não há fundamentação teórica suficiente sobre ensino de língua e linguagem na formação em Pedagogia, o que faz com que os pedagogos não se identifiquem como professores de língua, mas mantém-se um perfil técnico em pedagogia, incompatível com as demandas político-linguísticas trazidas pela legislação e pelas próprias diretrizes curriculares, o que é ao mesmo tempo contraditório, por resultar do engessamento que as diretrizes impõem, e tem com consequência o apagamento do linguístico (Silva, 2021; Nogueira, Dias, 2018).