CURRÍCULOS ENTRE MARGENS: CARTOGRAFIA DE UMA ESCOLA DO CAMPO EM UMA COMUNIDADE RIBEIRINHA DA REGIÃO SUDOESTE DE MATO GROSSO
Comunidade. Currículos. Escola do campo. Escola ribeirinha.
Esta dissertação inscreve-se no campo das pesquisas sobre escolas, currículos, práticas educativas, com foco em instituição do/no campo e comunidade ribeirinha em Mato Grosso. Intitulada “Currículos entre margens: cartografia de uma escola do campo em uma comunidade ribeirinha no sudoeste de Mato Grosso”, a pesquisa foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado de Mato Grosso (PPGEdu/UNEMAT), vinculada à linha Educação e Diversidade. A investigação tem como campo empírico a Escola Bento, localizada no distrito de Santa Fé, zona rural de São José dos Quatro Marcos – MT. Seus intercessores foram professoras e estudantes, especialmente uma turma trisseriada do 3º, 4º e 5º anos. A partir da questão: como os currículos da Escola Bento se articulam com as forças do território, com as relações de saber-poder e com os processos de subjetivação dos sujeitos que vivem nas margens do Rio Bugres? buscou-se compreender as tensões entre o pertencimento territorial e as políticas de esvaziamento e desterritorialização que incidem sobre a escola e a comunidade. O objetivo foi cartografar os modos como os currículos e as práticas pedagógicas na Escola Bento Alexandre dos Santos se constituem no cotidiano de uma comunidade camponesa/ribeirinha, produzindo subjetividades entre margens e atravessamentos históricos, políticos e afetivos. Para isso, apostou-se na cartografia (Deleuze & Guattari, 2011) e nas narrativas (Benjamin, 1994; Maldonado, 2017) como procedimentos metodológicos, em uma pesquisa implicada e sensível. A composição da pesquisa se deu por meio de diários de campo, escuta atenta, acompanhamento da turma e da prática docente, entrevistas e interações em diversos espaços da escola: sala dos professores, refeitório, pátios, ensaios de quadrilha, confecção de enfeites e até caronas solidárias. Foi nesse entrelaçamento de afetos, tempos e espaços que a cartografia da escola foi se desenhando. Conclui-se que a Escola Bento não se constitui, formalmente, como uma escola do campo ou ribeirinha. Nem em seu currículo oficial, nem em sua estrutura institucional evidenciam esse perfil. Concebem-na, oficialmente como salas anexas e extensões curriculares. No entanto, os sujeitos que habitam e atravessam esse espaço, crianças, professoras, famílias, levam o campo para dentro da escola, por meio de suas falas, gestos, saberes e práticas cotidianas. É nesse entre-lugar, entre margens e silêncios, que a Bento pulsa como um devir-escola, tensionando o instituído e abrindo brechas para outras formas de pertencimento e resistência, fazendo fluir a força dos movimentos inventivos curriculares.