A PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL DE “AS MARGARIDAS”: UM ESTUDO ETNOGRAFICO COM E SOBRE MULHERES EXTRATIVISTAS DO PANTANAL MATOGROSSENSE
Palavras-Chave: Pedagogia Feminista. Trabalho associado. Decolonialidade. Assentamentos. Educação informal.
A motivação para a união das mulheres é diversa, e muitos grupos estão sendo formados com o intuito de promover alternativas que superem as limitações impostas pelo sistema patriarcal estrutural. Esta pesquisa parte da premissa de que a pedagogia feminista se manifesta em múltiplos espaços, onde a educação ocorre de forma ampla e descentralizada. No grupo de mulheres “As Margaridas”, observa-se a pedagogia através das atividades cotidiana, do fortalecimento da identidade feminina pela independência financeira, do trabalho associado e das práticas extrativista. Assim, o objetivo foi conhecer os processos pedagógicos organizacionais presentes nas atividades realizadas pelas mulheres “As Margaridas”, um dos quatro grupos que compõem a Associação Regional das Produtoras Extrativistas do Pantanal (ARPEP). A pesquisa de cunho qualitativo, foi fundamentada no materialismo histórico-dialético e no Pensamento Decolonial, utilizando como metodologia a etnografia, valendo-se da vivencia da pesquisadora, diálogos, observações e entrevistas semiestruturadas. O desenvolvimento teórico e as análises contaram com a orientação de autores como Minayo (2001), Lüdke e André (2018), Brandão e Borges (2007), Schmidt (2006), Mattos (2011), Seluchinesk (2022), Bauer (2002), Zart (2020), Marx (1982), Quijano (2005), Walter Mignolo (2007), Nazareno (2013), Reyes (2016), María Lugones (2014) e (2008), Stuart Hall (2006), Ribeiro (2017), Walsh (2013), Holks (2013), Ballestrin (2013), Verges (2020), Minoso; Correal; Muñoz (2014), Luz Ochoa (2007), Carneiro; Cejas; Lucumi (2021), Silva, Corrêa e Negretto (2018), entre outros. Dessa maneira, conhecemos histórias de união e resistência dessas mulheres, que, frente à necessidade de fortalecimento financeiro, formaram uma rede de apoio, consolidando-se como o grupo “As Margaridas”. Unindo-se a outros grupos de mulheres, formalizaram a associação ARPEP, conquistando maior autonomia para comercializar seus produtos por meio de programas como o PAA e PNAE, além de feiras e eventos. O estudo evidenciou o vínculo entre o trabalho das mulheres e a educação não formal, presente tanto nas interações dentro do próprio grupo quanto nas trocas com outros coletivos. Essa relação educativa se estende ainda à escola formal, à qual fornecem pães e bolachas derivados do extrativismo, garantindo merendas saudáveis às crianças.