PRÁXIS DA COMUNICAÇÃO MULTIMODAL NO ENSINO DE MATEMÁTICA PARA A INCLUSÃO DE ESTUDANTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) NO CONTEXTO DA FORMAÇÃO CONTINUADA
Formação continuada de professores. Comunicação multimodal. Educação Matemática Inclusiva. Transtorno do Espectro Autista. Registros de representação semiótica.
Esta pesquisa aborda a comunicação multimodal na formação continuada de professores que ensinam Matemática em turmas com estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Teve como objetivo compreender como as estratégias de comunicação multimodal, no contexto da formação continuada, podem contribuir para tornar as aulas de Matemática mais acessíveis e inclusivas para estudantes com TEA do Ensino Fundamental. Caracterizou-se como investigação qualitativa, de campo, de natureza aplicada e orientada pelos pressupostos da pesquisa-formação. Participaram três professores de Matemática de uma escola pública estadual. O percurso formativo foi desenvolvido em oito encontros e articulou questionários diagnóstico inicial e final, Rodas de Conversa, diário de campo, estudos teóricos, planejamento colaborativo, elaboração e aplicação de uma sequência didática multimodal, roteiro de observação e registros documentais. O corpus foi organizado e interpretado segundo a análise de conteúdo, mediante a triangulação de diferentes fontes e momentos da formação. A análise resultou em três categorias: Desafios e Potencialidades Comunicativas; Roda de Conversa como Espaço de Problematização e Mediação Formativa; e Transformações da Práxis, Multimodalidade e Registros de Representação Semiótica. Os resultados evidenciaram que os participantes já utilizavam materiais concretos, recursos visuais, jogos, tecnologias e situações cotidianas antes da formação. O processo formativo contribuiu principalmente para ampliar a intencionalidade atribuída a esses recursos, relacionando-os aos objetivos matemáticos, aos registros de representação e às possibilidades de acesso, participação e expressão dos estudantes. Também foram identificados indícios de ampliação da compreensão sobre comunicação, de diversificação das evidências consideradas para reconhecer a aprendizagem e de deslocamento de adaptações destinadas exclusivamente ao estudante com TEA para um planejamento atento à variabilidade da turma. Permaneceram, contudo, limites relacionados ao tempo, às condições institucionais, ao apoio especializado e à transposição dessas compreensões para diferentes conteúdos. Conclui-se que a comunicação multimodal, quando integrada a uma formação continuada reflexiva, colaborativa e situada, pode favorecer escolhas pedagógicas mais conscientes e práticas matemáticas mais acessíveis, sem reduzir a inclusão à presença de recursos nem simplificar o conhecimento matemático.