ANÁLISE ENTRE A OCORRÊNCIA DE FOCOS DE INCÊNDIO E O DÉFICIT HÍDRICO EM ÁREAS DESTINADAS AO PLANTIO DE SOJA E DE PASTAGENS NOS ANOS DE 2016, 2020 E 2024
Amazônia, sensoriamento remoto, políticas públicas
A produção de soja e carne bovina fazem Mato Grosso uma potência agropecuária nacional. Porém, há custo ambiental. Um deles é o fogo, que com as mudanças climáticas e eventos extremos cada vez mais frequentes, tem se tornado agente de desastres. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo analisar a relação entre a ocorrência de focos de incêndio e o déficit hídrico em áreas destinadas ao plantio de soja e de pastagens, nos anos de 2016, 2020 e 2024. O mapeamento das lavouras de soja foi realizado por meio do índice de vegetação Perpendicular Crop Enhancement Index (PCEI), aplicado a imagens do sensor Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS). As áreas de pastagem foram mapeadas utilizando o classificador Random Forest em imagens do sensor Operational Land Imager (OLI). Os dados de focos de incêndio foram coletados em formato shapefile pela plataforma FIRMS (Fire Information for Resource Management System), enquanto os dados de precipitação e SPI foram obtidos na base Climate Hazards Group InfraRed Precipitation with Stations (CHIRPS). A análise de 80.923 focos indicou que a Amazônia foi o bioma mais afetado pelo fogo em ambos os usos da terra. Entre os anos avaliados, 2020 destacou-se pela maior proporção de ocorrências nos dois setores. Por fim, a aplicação de Modelos Lineares Generalizados (GLM) da classe Hurdle Binomial Negativo, ajustados para a região de estudo, revelou que as áreas de lavoura de soja apresentam maior vulnerabilidade ao fogo do que as áreas de pastagem.