OS ESTUDANTES QUILOMBOLAS E A LEI 10.639/03 NA ESCOLA ESTADUAL CÍVICO-MILITAR PROFª ANA TEREZA ALBERNAZ EM CHAPADA DOS GUIMARÃES, MT
ProfHistória; Ensino de História; Quilombos; Lei 11.645/08; Quilombos Lagoinha de Baixo; Escola Cívico-Militar
A presente pesquisa analisa como os saberes quilombolas podem integrar o ensino de História, visando promover práticas de educação antirracista na Escola Estadual Cívico-Militar Professora Ana Tereza Albernaz, em Chapada dos Guimarães, Mato Grosso. A proposta fundamenta-se na presença histórica de comunidades quilombolas no município e na necessidade de construir práticas pedagógicas articuladas à realidade sociocultural dos estudantes, especialmente daqueles oriundos das comunidades Lagoinha de Baixo e Lagoinha de Cima, cujos saberes e culturas permanecem, em grande medida, invisibilizados no currículo escolar. O estudo objetiva investigar as práticas socioculturais dessas comunidades e propor sua integração ao ensino de História, bem como problematizar, em perspectiva crítica, o contexto das escolas cívico-militares no que se refere às relações étnico-raciais. A presente pesquisa utiliza, em uma perspectiva contra-colonial, registros de narrativas orais em caderno de campo, análise documental, revisão bibliográfica e sistematização das fontes produzidas durante o trabalho de campo, conforme a perspectiva de Maria Cecília de Souza Minayo (2013). A pesquisa baseia-se nas contribuições da História Social, da História Cultural e dos Estudos Decoloniais, destacando as contribuições sobre colonialidade de Grada Kilomba (2019), sobre racismo de Kabengele Munanga (2015) e Nilma Lino Gomes (2001), além das discussões acerca da aplicabilidade das Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08 no estado de Mato Grosso, a partir das contribuições de Osvaldo Mariotto Cerezer (2019). No campo pedagógico, dialoga com as contribuições de bell hooks (2017), Paulo Freire (2013) e Circe Maria Fernandes Bittencourt (2009), que fundamentam práticas educativas críticas e emancipatórias. A pesquisa mobiliza, ainda, estudos sobre quilombos e populações negras, com destaque para Flávio dos Santos Gomes, Silvia Hunold Lara (2007), Beatriz Nascimento (2018) e Nego Bispo (2023). Sobre cultura e identidade dialoga com Stuart Hall e Sandra Jatahy Pesavento, e acerca das práticas alimentares em Massimo Montanari (2013). Os resultados indicam que a valorização dos saberes quilombolas no ensino de História contribui para tensionar narrativas hegemônicas, enfrentar silenciamentos históricos e fortalecer identidades, favorecendo a construção de uma educação antirracista, crítica e decolonial.