RACISMO AMBIENTAL E RESISTÊNCIA DO POVO QUILOMBOLA DE LAGOINHA DE BAIXO, EM CHAPADA DOS GUIMARÃES, MATO GROSSO
Quilombo, Territorio, Commodities, Resistencia.
As comunidades quilombolas no Brasil possuem uma trajetória marcada pela luta em defesa da identidade, da cultura e do território. No estado de Mato Grosso, esses grupos enfrentam pressões decorrentes da expansão do agronegócio, do desmatamento e do racismo ambiental, fatores que ameaçam seus modos de vida e os vínculos ancestrais com a terra. Esta dissertação analisou a resistência socioespacial da comunidade quilombola Lagoinha de Baixo, localizada no município de Chapada dos Guimarães, com o objetivo de compreender os impactos da expansão da fronteira agrícola e dos processos históricos de expropriação sobre esse território tradicional. A pesquisa, de abordagem qualitativa e fundamentada em revisão bibliográfica, buscou recuperar a ancestralidade e a trajetória histórica da comunidade, compreender o uso dos recursos naturais e dos saberes tradicionais e refletir sobre as desigualdades socioambientais que afetam o modo de vida quilombola. Os resultados evidenciam que, apesar da pressão exercida pela monocultura da soja, a comunidade mantém práticas coletivas de produção, partilha e manejo sustentável do Cerrado, preservando conhecimentos relacionados à alimentação, à medicina tradicional e à espiritualidade. Tais práticas fortalecem a memória coletiva, a solidariedade e a identidade quilombola, configurando-se como estratégias de resistência diante das desigualdades sociais e das ameaças ambientais. A luta contra o racismo ambiental revela-se um desafio permanente, evidenciando a necessidade de políticas públicas intersetoriais nas áreas de educação, saúde e cultura, associadas a investimentos voltados para a agricultura familiar, a recuperação de áreas degradadas por processos de grilagem e a regularização fundiária do território quilombola. Essas iniciativas são essenciais para promover a autonomia da comunidade Lagoinha de Baixo, assegurar sua dignidade, garantir a continuidade de sua cultura e fortalecer seu desenvolvimento socioeconômico.