INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA EM SOCIOLOGIA: um estudo da Lei Maria da Penha e as dinâmicas de combate à violência contra a mulher
Palavras-chave: Sociologia; Intervenção pedagógica; Violência de gênero; juventudes; Ensino Médio
Diante do cenário alarmante de violência de gênero no Brasil onde quatro mulheres foram mortas todos os dias vítimas de feminicídio somente em 2024 (FBSP, 2024), esta pesquisa investiga o potencial pedagógico da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) como instrumento de desconstrução do patriarcado no ambiente escolar. Partindo do contexto de Mato Grosso, estado com taxas de feminicídio superiores à média nacional, o estudo propõe uma intervenção pedagógica crítica na escola pública, articulando legislação, educação e epistemologias feministas interseccionais. Os objetivos centrais são: (1) diagnosticar as percepções de estudantes sobre violência de gênero; (2) desenvolver metodologias pedagógicas alinhadas à Lei Maria da Penha; e (3) identificar os limites e potencialidades dessas práticas na desnaturalização de estruturas opressoras. A pesquisa adota a abordagem freireana de pesquisa-ação participativa, envolvendo estudantes do Ensino Médio por meio de estratégias multimodais que envolvem: cine documentário, roda de conversa, Escape Room temático, quiz e exposição imersiva. Os resultados esperados incluem a criação de um modelo pedagógico replicável, capaz de desconstruir a naturalização de ciclos intergeracionais de violência através do protagonismo juvenil. Dados preliminares sugerem que metodologias ativas para articulação de conteúdos legais e a valorização de narrativas locais potencializam o engajamento crítico, conforme proposto neste trabalho pela articulação entre a Lei Estadual 10.792/2018-MT, a Federal 14.164/2021 e a contribuição e engajamento das juventudes quilombolas e pantaneiras. Entende-se que a escola, quando transformada em espaço de escuta ativa e produção coletiva de saberes, pode se converter em trincheira contra a naturalização das opressões. A Sociologia através da pesquisa, com a modalidade de intervenção pedagógica, produz o conteúdo insurgente capaz de articular legislação protetiva e práticas educativas emancipatórias, oferecendo diversos caminhos para o enfrentamento estrutural da violência de gênero.